Caridade Autêntica e Humildade Não Fingida — Renee Sheryl Crowell, Primeira Conselheira na Sociedade Fonte de Águas Vivas Internacional

Depois que Jesus ressuscitado visitou a nação nefita, os nefitas começaram a banir todo ressentimento do meio deles. Eles fizeram isso substituindo sentimentos adversos por bons sentimentos — os dons celestiais — de acordo com Atos dos Três Nefitas, 8:1. O apóstolo Paulo deu um ótimo exemplo de como substituir sentimentos adversos por bons sentimentos quando escreveu uma epístola aos santos em Corinto. Essa carta se concentra na Caridade e agora é conhecida como 1 Coríntios 13 na Bíblia.  Os traços de caráter derivados da Caridade e as características que se opõem à Caridade são descritos por Paulo em sua carta. Substituir as características não caridosas listadas por Paulo pelas características caridosas listadas em sua epístola poderia ter banido o ressentimento e os sentimentos adversos entre os Coríntios. No Livro de Mórmon, no capítulo 7 de Morôni, há ainda mais clareza sobre a importância máxima da Caridade. No entanto, este artigo foca em algo nas escrituras que é velado: a humildade é necessária para atingir o ápice da caridade e banir todos os ressentimentos do nosso meio. Em outras palavras, sem humildade não fingida, a Caridade autêntica não é possível.

Encontramos as seguintes palavras sobre Caridade no Livro Selado de Moisés 3:62-64: “Não! De modo algum, meu povo pode viver o auge do meu sacerdócio em uma Ordem Unida, como aconteceu nos dias de Enoque, sem que haja os mais nobres e elevados sentimentos em seus corações, todos derivados da caridade, que é a expressão mais pura do amor de Deus entre os filhos dos homens, tampouco podeis efetuar qualquer ministério, seja de curas ou obras poderosas, em meu nome, sem que haja algum dos sentimentos derivados desse dom maior em seus corações. Esse, portanto, é o procedimento entre os vários ministérios que estão na ordem sacerdotal do Filho Unigênito, pois nenhum representante autorizado na Sagrada Ordem do meu sacerdócio pode realizar qualquer milagre, como a cura, se não houver o dom da compaixão em seus corações quando oram com suas mãos sobre os doentes. Sua ação será em vão caso não haja o sentimento correspondente dentro de si para efetuar o trabalho, seja ele qual for.” Esta escritura do Livro Selado nos ajuda a entender a urgência de desenvolver Caridade para que nossas ações não sejam em vão.

O apóstolo Paulo nos diz para permanecermos na fé, esperança e caridade, sendo a caridade a maior (1 Coríntios 13:13). No entanto, Mórmon nos diz em Morôni capítulo 7 (Livro de Mórmon), que uma pessoa não pode ter fé nem esperança sem que seja manso e humilde de coração. Sem isso sua fé e esperança são vãs, porque ninguém é aceitável perante Deus, a não ser os humildes e brandos de coração; e se um homem é humilde e brando de coração e confessa, pelo poder do Espírito Santo, que Jesus é o Cristo, ele precisa ter caridade; pois se não tem caridade, nada é; portanto, ele precisa ter caridade.”

As escrituras indicam claramente que a fé e a esperança são parte da Caridade, e em Morôni, capítulo 7, fica claro que ser manso e humilde de coração também é parte da Caridade, assim como a fé e a esperança. Também aprendemos nesta lição que para ter o “sentimento correspondente” necessário para fazer a obra do Senhor com o poder do sacerdócio, a humildade é primordial. Oculto nas escrituras a respeito da caridade, fica claro que não podemos ter caridade sem humildade, e sem humildade, ou ser “manso e humilde de coração”, até mesmo nossa fé e esperança são vãs. Sim, a fé e a esperança podem ser vãs, de modo que mesmo que falemos em línguas; mesmo que tenhamos o dom da profecia e entendamos todos os mistérios e tenhamos todo o conhecimento; e mesmo que possamos remover montanhas — essas coisas não acrescentariam nenhum benefício ao nosso progresso. Milagres seriam tão vazios quanto crianças pequenas batendo em címbalos de brinquedo, proporcionando-lhes um prazer temporário e a atenção desejada dos outros, mas sem qualidades redentoras para ajudá-las a crescer e evoluir.

“Este projeto, vindo de Deus, requer primeiro que o povo possua a cidadania de Sião em seus corações e este será o meio pelo qual o povo de Deus se mostrará apto e digno de viver em Sião, “tendo um coração quebrantado e um espírito contrito diante do Senhor” (Atos dos Três Nefitas 7:6). O caminho poderia ser tão simples para nós, se o caminho que escolhermos for através da humildade e da mansidão, através de um coração quebrantado e um espírito contrito.

Mesmo que demos tudo o que possuímos para alimentar os pobres, esse ato não acrescentará nenhum lucro ao doador que não tem caridade, de acordo com o apóstolo Paulo. Quando lemos nas entrelinhas das escrituras sagradas, percebemos que a caridade, o dom maior, requer humildade para que sejamos dotados da plenitude do poder de Deus. Devemos guardar nossos corações, mentes e ações com o conhecimento de que nossos sentimentos internos de humildade — e comportamento externo (comportamento humilde autêntico é chamado de mansidão) — são requisitos para crescer em Caridade. É importante notar que uma pessoa pode se comportar com mansidão sem ter humildade genuína interiormente. Da mesma forma, uma pessoa pode ter humildade interior sem praticar a mansidão. O “sentimento” interno de humildade e o “ser” externo de mansidão devem estar inseparavelmente conectados.

Portanto, meus amados irmãos, rogai ao Pai, com toda a energia de vosso coração, que sejais cheios desse amor que ele concedeu a todos os que são verdadeiros seguidores de seu Filho, Jesus Cristo; que vos torneis os filhos de Deus; que quando ele aparecer, sejamos como ele, porque o veremos como ele é; que tenhamos esta esperança; que sejamos purificados, como ele é puro. Amém. (Morôni 7:48).

Em Mateus 11:30, Jesus falou aos Seus discípulos sobre como ser como Ele: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” O Livro Selado nos diz que a Caridade é um presente (Livro Selado de Moisés 3:62). Isso deve nos humilhar, sabendo que não estamos equipados para sermos cheios de Caridade sem o Grande Jeová e Seu Filho Unigênito, Jeová.

Um filho que realmente sabe como falar com o Pai; fala com Ele com sentimentos derivados de um coração quebrantado e um sentimento contrito de acordo com Jesus no capítulo 13 de Atos dos Três Nefitas, versículos 14-15: esse coração quebrantado e sentimento contrito são o “maior poder que existe no mundo”. Não é de se admirar que a humildade seja um requisito para alcançar a Caridade, o maior presente dos atributos do Pai! Parece paradoxal que humildade e mansidão sejam necessárias para falar com o Pai com um coração quebrantado e um sentimento contrito que são o “maior poder que existe no mundo”, e “capaz de mover a mão Daquele que governa todo o universo”. Poderia esse requisito de um coração quebrantado juntamente com a contrição de espírito ser um código de segurança que o Pai colocou no precioso dispositivo de comunicação chamado oração, para ter certeza de que o maior poder do mundo não pode ser alcançado por aqueles que almejam o poder?

Voltando ao conselho de Morôni de orar pela caridade com toda a energia de nossos corações, e retornando ao conselho de Jonas em Atos dos Três Nefitas 13:15, agora sabemos que Deus moverá céus e terra para nos ajudar a alcançar a Caridade quando oramos da maneira certa, com grande desejo e sinceridade, e toda a energia de nossos sentimentos, se simplesmente formos verdadeiramente mansos e humildes, tendo um coração quebrantado e um espírito contrito em nossa oração. Sem essa humildade e mansidão sinceras, permanecemos sem caridade; e tudo o que fazemos, tudo o que temos conhecimento, toda boa ação como alimentar os pobres, todo milagre, todo mistério de Deus — não nos trará nenhum benefício — nem mesmo sacrificar nossos corpos (1 Coríntios 13:1-3).

Esta tarefa de superar o orgulho começa com a gente tendo que reconhecer os sentimentos malignos impregnados dentro de nós mesmos (veja Livro Selado de  Moisés 5:36), não focando nos sentimentos malignos dos outros. Esses traços divinos de mansidão e humildade de coração podem transmutar as condições mais irritantes em sentimentos humanos sublimes. Desenvolver a humildade nos ajudará a substituir com sucesso nossos sentimentos adversos por bons sentimentos para que possamos banir todo ressentimento do nosso meio. Esses sentimentos nos permitirão nos tornar como Cristo Jesus — a personificação da Caridade.